Este blog tem como objetivo principal, resgatar a história cultural de Escada. Enfatizando os prédios antigos, as casas-grandes e monumentos históricos ainda existente em nossa cidade. Nossa cidade está repleta de histórias e motivos para ser admirada, mas principalmente valorizada por todos nós!!
quarta-feira, 6 de abril de 2011
HINO DA CIDADE DA ESCADA
Letra e música:
Maria José Leão Portela Gomes
(Mariinha Leão)
Despontaste audaz e alvissareira
Ó inefável, cidade hospitaleira.
O teu nome Escada enaltece
O teu povo e a Pátria Brasileira.
Despontasfe audaz e alvissareira
Ó inefável, cidade hospitaleira.
Tuas ínvias matas verdejantes
O fulgor e limpidez do teu rio
Os primórdios irmãos ameríndios
Da lembrança, a bravura e o brio.
Os barões, engenhos e casarios
Belas paisagens de canaviais
Para orgulho dos nossos ancestrais
Foste Princesa dos Canaviais.
Tua história ostenta conquistas
Um passado de luta e vitória.
E também tu tiveste momentos
De infortúnio em tua trajetória.
Ouves logo o brado do teu povo
Destemido e cheio de clamor.
Que anseia um progresso contínuo
E recrudesça assaz o labor.
Ó insigne cidade que apraz,
de outrora guardas a memória.
cujo tempo não apaga jamais,
tua história, tradição e glória.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Comadre Fulorzinha* e Suas Peripécias nas Matas de Escada
Comadre Fulorzinha é uma personagem lendária que vive nas matas. É temida e respeitada por alguns caçadores e pessoas que ali trabalham e nela acreditam.
Nas matas da cidade de Escada várias peripécias foram praticadas por ela.
Muitos moradores da zona rural do nosso município afirmam ter visto a Comadre Fulorzinha. Dizem que é uma linda cabocla. Para outros, é uma menina muito bonita, alva, cabelos loiros e longos, vestida de branco, aparentando 10 anos de idade. Além das matas, ela aparece nos engenhos e sítios, assustando as pessoas com empurrões, tapas, relhos de bater em cavalo, assobios fortes e finos, que provocam surdez instantânea. Afirmam também que ela gosta de fazer, nos cavalos tranças bem finas e perfeitas. Quando alguém percebe a sua aproximação nas matas ou engenhos, procura logo afugentá-la, batendo com uma enxada numa pedra, pois não aprecia o barulho e vai embora. Para agradá-la, os caçadores costumam colocar, em qualquer tronco da mata, fumo e mingau sem sal.
Em Vargem Grande, Cachoeira Tapada, um caçador que duvidava e zombava muito da Comadre Fulorzinha, foi à mata e colocou para ela mingau com sal. Após alguns dias, ele foi caçar e não voltou para casa. Seu irmão saiu a sua procura e o encontrou, amarrado num tronco com cipó; seu corpo demonstrava sinais de espancamento. O caçador recordou apenas que estava na mata e subitamente, começou a apanhar. Só que ele sentia as lapadas, mas não via quem estava batendo. Ficou aterrorizado, perdu os sentidos e, quando tornou, já estava amarrado. A partir desse dia, ele começou a ter medo e respeito pela Comadre Fulorzinha.
O termo "fulorzinha" foi grafado da forma como a população pronuncia na região.
Livro: Lendas, Mitos e Histórias da Terra dos Barões.
Autora: Mariinha Leão.
Origem Lendária de Escada
A origem lendária de Escada remonta de tempos longínquos, quando as exuberantes e virgem matas verdejantes ornamentavam nossa terra pueril.
Foi berço dos nossos índios, primordiais habitantes, senhores desse torrão, que aqui se radicaram desenvolvendo sua cultura, sua crença, seus costumes; banhada por um rio gigantesco e cristalino, forte e sadio que enaltecia e adornava o nosso solo, o qual se tornou também fonte de alimento para nossos ameríndios que, além da pesca, nutriamse de caça, frutos silvestres e demais recursos que a natureza mãe pudesse lhe oferecer.
Foi em épocas remotas, quando Escada era ornamentada por essas paisagens fascinantes já relatadas, que dois caçadores encontraram nun tronco, onde hoje existe a nossa Matriz, uma santa chorando com uma escada nas mãos. A mesma foi levada pelos caçadores a Ipojuca e entregue aos padres daquela cidade. No dia seguinte a Santa apareceu novamente chorando no tronco onde foi encontrada. O fato repetiu-se três vezes. Ela era levada para Ipojuca e voltava para o tronco, em Escada. Diz a lenda que os padres de Ipojuca resolveram fazer uma capelinha no lugar onde a Santa apareceu. Dentro da capela construíram um quarto, onde ela foi colocada e, em frente ao quarto, desenharam sua imagem com uma escada nas mãos. Até os dias de hoje, fiéis que zelam a Igreja e lhes dedicam carinhos especiais: cortam suas unhas, dão banho e trocam suas vestes, mantendo em sigilo a sua existência.
Em sua homenagem, a cidade recebe o nome de "Escada" por causa da escadinha que trazia nas mãos; a santa tornou-se padroeira da cidade com o nome de Nossa Senhora da Apresentação da Escada.
Entretanto, tudo não passa de uma lenda.
Livro: Lendas, Mitos e Histórias da Terra dos Barões.
Autora: Mariinha Leão.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Cemitérios Indígenas
A prática de prestar culto aos mortos e sepultá-los é um fenômeno mais bem datado pela arqueologia, pois remonta dos primordiais tempos, quando os homens pré-históricos já praticavam tal ato, sentindo o vazio e ausência pelo falecimento de mais um integrante do grupo.
No transcurso da história, os povos da antiguidade, praticavam o sepultamento, com exceção dos persas que colocavam os seus mortos em altas torres, as chamadas "torres do silêncio" para que fossem devorados pelos abutres, pois consideravam sagrados a terra, o fogo e a água, que não podia ser manchados. Ainda hoje os países que vivem na Índia, e são os últimos seguidores do Zoroastrismo, procedem da mesma forma.
Presume-se que a história de Escada tenha sido marcada pela presença de dois cemitérios indígenas que datam da época da aldeia.
No final da década de cinqüenta, quando iniciaram as escavações para fazer a pavimentação da Rua Deodoro da Fonseca (25 de março), muitos ossos humanos, inclusive crânios em bom estado de conservação, foram retirados do lugar. É possível que esses fósseis tenham pertencido aos índios que habitavam na parte baixa da cidade e que foram sepultados nas proximidades do Rio Ipojuca onde, provavelmente, ficava o cemitério. Também foram encontrados restos de esqueletos humanos na parte alta da cidade.
Durante a construção do prédio da antiga Hermol, na Rua Barão de Suassuna, pelo fato do edifício ser um prédio com 3 andares, foi necessário uma escavação profunda para fazer uma estaca de concreto.
Ao retirarem do solo o trado (instrumento de forma helicoidal com que se fazem furos de sondagem nos solos), restos de ossos humanos vieram agarrados ao instrumento. É possívem ter existido outro cemitério indígena nas imediações do atual centro do comércio, onde habitavam, certamente, os nativos.
A presença dos colonos no território escadense aumentou a população, surgindo a necessidade de um local para sepultar os mortos.
Construíram, então, o cemitério (Campo Santo), ao lado da atual Matriz, onde funciona hoje a secretária de Assistência Social, do qual não existe dúvida sobre a sua existência.
Livro: Lendas, Mitos e Histórias da Terra dos Barões.
Autora: Mariinha Leão.
quinta-feira, 17 de março de 2011
A Cova do Inglês
No histórico Bairro do Viradouro existe uma cova onde foi enterrado um inglês. Alguns moradores afirmam que ele era acionista da "Great Western" (*) outros comentam que era engenheiro da empresa e morava em Escada, próximo à Estação.
O Inglês era protestante. E, como o único cemitério da cidade ficava no antigo campo, ao lado da Matriz, ele pediu, antes de morrer, para não ser enterrado ali. O seu pedido foi atendido e, como naquela época se enterrava gente em qualquer canto, o seu corpo foi sepultado no atual Bairro do Viradouro. A cova foi dupla e era protegida por uma grade de ferro, resistente e bem trabalhada. Durante muitos anos, sempre vinha gente de Recife visitar a cova. Com o passar dos tempos, as visitações tornaram-se escassas; até que, definitivamente , deixaram de comparecer ao local.
Um antigo morador contou que, na cova do inglês, nasceu um araçazeiro que dava frutos enormes e saborosos. Muita gente não comia os araçás porque a árvore ficava sobre a sepultura. Outro senhor, que reside no bairro, narrou que, certa noite, o inglês apareceu em sonho a um funcionário da estação e lhe deu uma botija. O mesmo não aceitou alegando que, para tirá-la, teria que se mudar da cidade e ele não pretendia sair de Escada.
Atualmente, no lugar onde fica a cova do inglês foi construído o terraço de uma casa. Quanto à grade que protegia a cova, foi colocada no quintal da casa vizinha, onde permanece até hoje, embora os moradores não darem valor.
(*) Great Western - Companhia Ferroviária Inglesa, que implantou a rede ferroviária em Pernambuco.
Obs. Hoje encontra-se no Espaço Cultural Museu Cícero Dias, localizado na rua da MaTRIZ N. 97 antiga Câmara Municipal.
Livro: Lendas, Mitos e Histórias da Terra dos Barões.
Autora: Mariinha Leão.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Engenho Alegria
Distante 4 km da séde do município, o acesso se dá por estrada vicinal carroçavel. A casa-grande datada de 1926 está abandonado em mal uso.
Neste engenho está localizado, mais de 200 hectares de mata atlântica, situada nas porções mais elevadas. Em seu entorno, várias casas de moradores registram a ocupação humana. por ser uma das poucas reservas preservadas do município, é possível encontrar uma fauna abundante como: quatis, cobra-siri, gato maracajá, gaviões, cotias, tetéus, etc...
Bem como uma flora rica em espécies vegetais. Completando este ecossistema, rios, quedas d'águas, nascentes, bicas, fazendo com que as trilhas seja uma verdadeira aventura com atrativos tanto históricos, quanto naturais, com belos exemplares da arquitetura rural do Estado de Pernambuco.
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Livro: Escada, Riqueza de Pernambuco.
Autor: Luis Mindiuca.
O Acendedor de Lampião
Na época em que não existia energia elétrica em Escada, às 17 h, em ponto, o acendedor de lampião desempenhava o seu trabalho com prazer, acendendo as lanternas da cidade. Nos locais desabitados, os postes ficavam localizados numa distância de 100m de um para o outro. Quando às áreas habitadas, eram colocados bem próximos um do outro. De 3 em 3 dias eram abastecidos com parafina ou querosene, por uma pequena janela.
No início do século XX, era muito usado em nosso município os lampiões à álcool.
O acendedor de lampião era funcionário do paço municipal. Ao entardecer, ele fazia habitualmente o mesmo percurso pelas ruas da cidade acendendo, reabastecendo, ou verificando os mínimos problemas que surgissem, em qualquer um deles.
Em abril de 1926, a cidade recebia os benefícios da energia elétrica gerada pela Companhia Industrial Pirapama, aproveitando a queda d'água do Rio Pirapama.
Para economizar energia, as luzes da cidade permaneciam acesas até 23 h e os escadenses pagavam, mensalmente, uma pequena taxa pelo consumo.
A partir de então, os lampiões tornaram-se obsoletos, restando apenas a lembrança e a saudade do acendedor de lampião, cuja história jamais será esquecida pelos escadenses.
Livro: Lendas, Mitos e Histórias da Terra dos Barões.
Autora: Mariinha Leão.
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